A reunião ordinária da Câmara desta terça-feira (18) escancarou, em meio a dedos em riste e gritos, como o Poder Legislativo de Itaúna tem sido utilizado para fins particulares, deixando de lado projetos de lei e proposições – finalidades para qual os vereadores foram eleitos. Ao abafar episódios como o do “pó de mico”, nomear assessores que atuam em prol das eleições de 2026, sem tecnicidade, e faltar com a transparência, o atual mandato abre dúvidas sobre o controle do presidente, que parece ter “perdido as rédeas” da Casa, após voltar de um afastamento por motivos de saúde em maio.
O clima começou a esquentar durante a “Ordem do Dia”, quando o vereador Kaio Guimarães (PMN) solicitou a exibição de recortes de imagens de monitoramento do Legislativo que mostram a secretária Municipal de Desenvolvimento Social, Gláucia Santiago, percorrendo corredores com um advogado, no dia em que foi votada a comissão processante para análise da cassação do mandato do filho, o vice-prefeito Hidelbrando Neto (PL). Alexandre Campos (MDB) questionou o presidente da Mesa Diretora, Antônio de Miranda, o Toinzinho (União Brasil), se havia autorização para divulgação do vídeo, que apesar de interno, é público como a Câmara. Toinzinho respondeu que tinha um parecer favorável da Procuradoria e outros 12 vereadores também solicitaram as imagens. Alexandre perguntou então o porquê de o mesmo não ter ocorrido com o vídeo em que assessores foram flagrados passando “pó de mico” na fechadura do gabinete de Gustavo Barbosa (PR).
A partir daí a discussão partiu para ataques pessoais. Em um dos momentos mais tensos, Alexandre Campos, olhando para Kaio, repetiu por três vezes: “Você é filho de chocadeira?”. Wenderson da Usina (Novo), em seguida, subiu o tom, criticando Kaio por agir com “picuinhas” e “sem transparência”, por atuar de forma controversa como se estivesse na “métrica da Netflix”.

O ápice do descontrole na reunião veio com o vereador Rosse Andrade (PL), que em discurso direto olhando para Kaio e aos gritos, se referiu ao colega como “moleque” e “capeta com a bíblia na mão” — em alusão ao fato de Kaio ser pastor.
Toinzinho foi questionado várias vezes, mas não conseguiu interpelar e controlar os vereadores indignados. Ao término da reunião, Kaio teria dito algo para Wenderson, que retrucou, colocando o dedo na cara do colega afirmando que ele “não tem moral para criticar ninguém”. O momento, contudo, não foi gravado, uma vez que as câmeras do plenário já estavam desligadas.
Wenderson disse à Folha do Povo que de fato estava nervoso, mas reiterou que sua intenção é ser um vereador que trabalha pela cidade e que não quer participar de um “circo”, como o presenciado na reunião. Para o jornal, a reunião de ontem foi um “circo armado pelo vereador Kaio, que acabou caindo do trapézio”.
KAIO É O PRESIDENTE, DIZ GUILHERME Em vídeo nas redes sociais, Guilherme Rocha (Novo) acrescentou que na prática, quem está mandando na Mesa Diretora é Kaio e não Toinzinho, levando a questão: ou Toinzinho “toma as rédeas”, ou abre mão da presidência da Câmara.

Itaúna inaugurou um novo cabaré e eu nem fui convidado para esta festa pobre?
Mas o que é isso? O rendez-vous pegando fogo, Toinzinho pendurado no lustre, o Bataclan formado e eu expulso da cidade por causa de uma pedra negra? Ah NÃO!