A Polícia Civil concluiu o inquérito que apurou a morte de Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 33 anos, ocorrida em 14 de dezembro do ano passado. O caso, inicialmente registrado como acidente de trânsito na MG-050, em Itaúna, revelou-se um feminicídio com tentativa de fraude processual. O namorado da vítima, o empresário Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos, foi indiciado pelos crimes. Conforme apurado, a mulher foi morta em um apartamento no bairro Nova Suíça, em Belo Horizonte, e teve o corpo transportado até o interior do veículo, antes de o investigado provocar, de forma intencional, uma colisão com um ônibus, com o objetivo de simular um acidente. O suspeito foi preso em flagrante pela PCMG durante o velório e permanece à disposição da Justiça.
O casal mantinha relacionamento havia cerca de um ano. As apurações, conduzidas pela equipe da delegacia de Polícia Civil em Itaúna, com apoio da Agência de Inteligência do 7º Departamento e do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) em Belo Horizonte, tiveram início após o registro do suposto acidente. A reavaliação da ocorrência foi motivada por informações repassadas por familiares da vítima e pelo relato de uma funcionária da praça de pedágio por onde o veículo passou minutos antes da colisão. A atendente relatou ter observado a mulher desacordada no banco do motorista, enquanto o companheiro, com lesões aparentes e em estado de nervosismo, conduzia o veículo no banco do passageiro, recusando ajuda e deixando o local rapidamente.


Diante dos indícios, a Polícia Civil instaurou procedimento investigativo, colheu imagens, ouviu testemunhas e requisitou exames periciais.
DINÂMICA A investigação apontou que o crime teve início na noite anterior, no apartamento onde o casal residia, em Belo Horizonte. Durante uma discussão, Alison teria agredido a vítima, causando asfixia por constrição cervical externa. A perícia identificou vestígios de sangue no imóvel, compatíveis com a dinâmica apurada. Imagens de câmeras de segurança do condomínio registraram o momento em que o investigado desceu até a garagem carregando o corpo da mulher, já morta, e o colocou no banco do motorista do veículo.
Na sequência, ele deixou o local conduzindo o carro a partir do banco do passageiro, com destino à Divinópolis. Pouco depois, o veículo passou pela praça de pedágio de Itaúna, ocasião em que a funcionária percebeu que a mulher permanecia inerte, enquanto o homem demonstrava extremo nervosismo e recusava qualquer tipo de auxílio. Cerca de dez minutos depois, no km 90 da MG-050, o investigado lançou o veículo na contramão e provocou a colisão com um ônibus, com o intuito de forjar um acidente de trânsito e ocultar o feminicídio.

De acordo com a PCMG, os laudos médico-legais foram determinantes para o esclarecimento do caso. A necropsia apontou como causa da morte asfixia por constrição cervical externa, com sinais de esganadura, associada a traumatismo cranioencefálico contuso, afastando a hipótese de óbito decorrente do acidente.
As investigações também identificaram histórico de violência doméstica envolvendo a vítima. Registros policiais, depoimentos, prontuários médicos, mensagens e vídeos demonstraram agressões anteriores, incluindo episódios de esganadura registrados em agosto do ano passado.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA Alison possuía ainda histórico de violência doméstica contra outra mulher, com registros policiais e medidas protetivas deferidas, reforçando o contexto de violência de gênero. Segundo o delegado João Marcos do Amaral Ferreira, após o crime, o suspeito retornou ao apartamento e retirou uma câmera de monitoramento interno, numa tentativa de eliminar provas.
“Na condição de síndico, ele tinha acesso ao sistema de câmeras e às gravações do prédio. No celular dele, foram encontradas pesquisas sobre acidentes fatais, medicina legal e jurisprudência”, afirma Amaral.
E MAIS…
Indiciamento
Com base em todos os elementos coletados, a PCMG concluiu o inquérito e indiciou o investigado por feminicídio qualificado e fraude processual. O procedimento já foi encaminhado à Justiça.
Trabalho integrado
O chefe do 7º Departamento de Polícia Civil, Flávio Tadeu Destro, ressaltou a atuação integrada das equipes. “A troca imediata de informações, ainda durante o velório, aliada ao empenho dos policiais, possibilitou a prisão em flagrante e impediu que a tentativa de simulação se consolidasse”.
