Sindicato denuncia, na ALMG, precarização do atendimento no Santander

A precarização do atendimento prestado nas agências do Banco Santander foi denunciada pelo Sindicato dos Bancários nesta quarta-feira (20), em audiência pública da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A pedido da deputada Beatriz Cerqueira (PT), a comissão discutiu denúncias de terceirização irregular e desrespeito aos direitos dos trabalhadores do banco. Bancários reclamam de fechamento de agências e de terceirização de mão de obra, apesar de lucros crescentes do grupo espanhol. O superintendente regional do Trabalho, Carlos Calazans, considerou graves os problemas relatados na reunião. Ele se colocou à disposição para intermediar uma interlocução entre o Sindicato dos Bancários e órgãos como o Banco Central e a Receita Federal, que podem investigar as denúncias apresentadas pelos sindicalistas.

Segundo o Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, a política de fechamento de agências do Santander vem causando demissões de funcionários do banco e prejudicando o atendimento aos clientes. O presidente do sindicato, Ramon Silva Rocha Peres, disse que os correntistas são transferidos para unidades de negócio virtuais, nas quais o atendimento é feito por inteligência artificial ou por uma pessoa que não entende do funcionamento bancário. O lucro do Santander no 1º semestre deste ano foi de R$ 7,5 bilhões, resultado 20% superior ao do mesmo período do ano passado.

“Não é possível um banco ter um lucro bilionário ano após ano e querer dar um atendimento ruim à população e tirar direitos dos trabalhadores, simplesmente para ter mais lucro”, afirma o dirigente sindical.

Mesmo com resultado financeiro positivo, o banco continua fechando agências, tanto em Belo Horizonte como no interior do Estado. De acordo com o Sindicato dos Bancários, mais de 60 unidades foram fechadas em Minas Gerais desde 2019. Em Belo Horizonte são 22 agências em funcionamento. Porém, 54 agências constam sob supervisão do Banco Central. Para a sindicalista Paula Moreira, isso acontece porque muitas unidades de atendimento foram fundidas.

“As agências estão sobrecarregadas, atendendo um número maior de clientes”, alerta Paula.

Carlos Calazans, do TRT-MG, considerou graves os problemas relatados

REDUÇÃO DE FUNCIONÁRIOS O Sindicato dos Bancários também denunciou que o projeto Multicanalidade, implementado a partir de 2022, levou à precarização do trabalho bancário. As agências passaram ser chamadas de lojas, com horário de atendimento estendido e redução do número de funcionários. A agência do bairro Mangabeiras, por exemplo, teria apenas três trabalhadores, segundo o sindicato. Outro problema apontado é a terceirização, por meio da qual o Santander transfere funcionários para empresas coligadas. Com essa mudança, os bancários deixam de ter benefícios como jornada de trabalho de seis horas, auxílio para qualificação profissional e participação nos lucros e resultados.

Os sindicalistas também reclamaram do crescimento do número de correspondentes bancários, que são postos de atendimento em supermercados, farmácias e padarias. Para Paula Moreira, o banco transfere riscos e responsabilidades para essas unidades de atendimento, que têm um custo operacional menor. Segundo o Sindicato dos Bancários, o Santander conta com mais de 44 mil correspondentes bancários em todo o País.

“A gente entende que o banco tem que dar lucro. Mas esse lucro não pode estar acima da responsabilidade social e das leis do país”, finalizou a representante do Sindicato dos Bancários.

A deputada Beatriz Cerqueira lamentou a terceirização no Santander e a precarização do atendimento bancário nas agências. A parlamentar criticou a decisão do Santander de não enviar representantes ao debate, apesar de ter sido convidado com antecedência.

2 thoughts on “Sindicato denuncia, na ALMG, precarização do atendimento no Santander

  1. E se reclamarem mais vao fazer igual ao HSBC . Fechar as portas no Brasil.
    Aqui no Brasil as demandas trabalhistas do Santander respondem por mais de 98% das demandas do banco no mundo inteiro.
    Nao porque aqui nao respeitam as leis, mas porque aqui no Brasil tudo é muito mais complicado e difícil gerando uma insegurança jurídica absurda.
    Aí eles optam por nao contratar.

  2. A Caixa Econômica Federal irá fechar 162 agências bancárias pelo Brasil…

    E dai?

    Eu larguei Itaúna PARA SEMPRE fechando a Viasul, depois que o Mitre e os vereadores chutaram meu derrière murcho, e nem por isso estou sofrendo. Adorei estar com meu fiantan inchado e latejando!
    Itaúna é uma cidade mequetrefe. Prefiro abusar de Contagem, Nova Lima, Ibirité e Vespasiano!

    Hahahahaha hahahahaha hahahahaha hahahahaha hahahahaha hahahahaha hahahahaha

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