Doze instituições de ensino superior em Minas que registraram desempenho considerado insatisfatório em cursos de Medicina no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes da Medicina (Enamed), nas faixas 1 e 2, serão convocadas a prestar esclarecimentos ao Ministério da Educação (MEC). A punição prevê medidas cautelares severas, que incluem impedimento de ampliação de vagas, suspensão de novos contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e participação no Programa Universidade para Todos (Prouni), redução de vagas para ingresso (para cursos com nota 2) e suspensão total do ingresso de novos estudantes (para cursos com nota 1).
Os dados do Enamed apontam uma discrepância entre o ensino público e o privado. Das 24 faculdades que tiraram nota 1 (conceito crítico), 17 são particulares. Já entre as 83 instituições com conceito 2 (insuficiente), 72 pertencem à rede privada. Por outro lado, das 49 escolas que conquistaram a nota máxima (5), 84% são públicas. Entre os destaques, em Minas, estão a UFMG, UFV e UFJF.
Entre as dez faculdades do estado que ficaram com nota 2, entrando também na zona de punição, está a Universidade de Itaúna (UIT). Por meio de nota, publicada em seu site, a UTI se defende, afirmando que os indicadores do Enamed representam um recorte específico de desempenho discente em avaliação externa, não se confundindo com a análise global da qualidade do curso. A instituição ressalta que em avaliação do MEC em 2025 o curso de Medicina obteve nota 5 – a máxima no sistema regulatório federal, considerando aspectos como projeto pedagógico, corpo docente, infraestrutura, gestão acadêmica e condições de ensino-aprendizagem, atestando de maneira inequívoca a excelência do curso – leia mais a seguir.

O resultado do Enamed revela um problema estrutural grave na formação médica brasileira, segundo o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiram Gallo. De 39.256 estudantes concluindo curso no país, 13.871 não comprovaram conhecimento suficiente para desempenhar o ofício. O volume de cursos cresceu 118% entre 2010 e 2020.
No recorte regional, São Paulo lidera o ranking negativo em números absolutos, com 23 cursos e 3.437 estudantes em nível crítico. A Bahia aparece em segundo lugar, seguida por Minas, que possui 12 cursos e 1.307 estudantes com desempenho abaixo do esperado.
“São mais de 13 mil graduados em medicina que receberão diploma e registro para atender a população sem terem competências mínimas para exercer a medicina”, alerta Gallo.
Para o presidente do CFM, a situação é “assustadora” e coloca em risco a segurança de milhões de brasileiros. O conselho defende que apenas cursos com nota mínima 4 (bom desempenho) deveriam funcionar plenamente e estuda uma medida drástica que pode impedir a emissão do registro profissional para os estudantes de medicina que não atingiram a nota mínima no Enamed. A autarquia articula uma resolução para barrar a entrada desses recém-formados no mercado de trabalho, alegando riscos à segurança da população.

DESEMPENHO DOS CURSOS DE MEDICINA AVALIADOS
Nota 5 (Desempenho Máximo)
- Universidade Federal de Viçosa (UFV)
- Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) – Governador Valadares e Juiz de Fora
- Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes)
- Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
- Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
- Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Nota 2 (Desempenho Insatisfatório)
- Centro Universitário Faminas (UNIFAMINAS) – Muriaé
- Faculdade de Medicina de Barbacena (FAME)
- Universidade de Itaúna (UIT)
- Faculdade Atenas Sete Lagoas
- Faculdade de Minas BH (FAMINAS-BH)
- Centro Universitário Unifacig – Manhuaçu
- Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE) – Governador Valadares
- Faculdade Dinâmica do Vale do Piranga (FADIP) – Ponte Nova
- Centro Universitário Vértice (UNIVÉRTIX) – Matipó
- Faculdade Atenas Passos
Nota 1 (Desempenho Crítico)
- Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (FASEH) – Vespasiano
- Centro Universitário Presidente Antônio Carlos (UNIPAC) – Juiz de Fora
DÉFICIT EM PROFISSIONAIS O Brasil precisa de profissionais de saúde. Possui 2,98 médicos por mil habitantes, de acordo com o estudo Demografia Médica 2025, menos do que a média de 3,7 por mil habitantes nos países da OCDE, o “clube dos países ricos”. Numa lista de 47 nações, o Brasil está em 33º. Agravando a situação, os profissionais estão concentrados nas áreas urbanas das regiões Sul e Sudeste.
Contudo, essa déficit não pode ser preenchido a toque de caixa e sem critério. É preciso assegurar, além do aumento da disponibilidade de profissionais em todo o território nacional, que eles dominem sua área de atuação, discernimento e valores elevados. O governo brasileiro já tem o diagnóstico em mãos, agora, precisa determinação para investir na cura e oferecer aos cidadãos médicos de qualidade e, consequentemente, saúde. (com informações de O Tempo)
NOTA DA UTI SOBRE O ENAMED:
