Tarifas e importações derrubam resultado da ArcelorMittal

A ArcelorMittal Brasil fechou o ano passado com prejuízo de R$ 2,2 bilhões, contra um lucro líquido de R$ 2,26 bilhões em 2024, segundo resultado divulgado pela siderúrgica. De acordo com o CEO da ArcelorMittal Aços Longos Latam e vice-presidente da ArcelorMittal Brasil, Everton Negresiolo, o resultado do ano passado foi afetado pelas importações de aço da China a preços subsidiados, sobretaxas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao aço brasileiro o pagamento de R$ 2,9 bilhões pelo fechamento do acordo relativo à aquisição da Votorantim Siderurgia.

A produção total de aço somou 15,14 milhões de toneladas – recuo de 1,3% em relação a 2024. A produção de minério de ferro atingiu 2,34 milhões de toneladas, montante 18,3% menor que 2024. Neste caso, o resultado foi impactado pela transição da Mina de Serra Azul, que concluiu a implantação de uma planta de produção de pellet feed, cujo início da produção ocorreu em agosto de 2025 e encontra-se em ramp up para atingir sua capacidade esperada de produção. O projeto estendeu a vida útil da mina até 2058.

“Sem esses efeitos, nós teríamos resultado positivo, mas inferior a 2024 e muito impactado pelas importações”, diz Negresiolo.

Everton Negresiolo, CEO da ArcelorMittal Aços Longos Latam e vice-presidente da ArcelorMittal Brasil. Foto: Divulgação/Douglas Magno Nitro

A receita líquida consolidada da companhia somou R$ 61,76 bilhões, recuo de 7,2% em relação a 2024. Já o EBITDA consolidado atingiu R$ 8,08 bilhões em 2025, com recuo de 12% em relação a 2024. Atualmente as usinas da ArcelorMittal operam com ocupação acima de 65%.

Apesar do ambiente considerado desafiador, a ArcelorMittal conseguiu manter produção e vendas no ano passado, embora a receita tenha sido afetada pelas margens deprimidas pela importação de aço chinês subsidiado. Segundo o balanço, o volume de vendas de aço atingiu 14,9 milhões de toneladas no ano passado, com queda de 1,9% em relação a 2024. Do total, 8,4 milhões de toneladas foram destinadas ao mercado interno (57%) e 6,4 milhões de toneladas (43%) ao mercado externo.

“A tarifa nos EUA impactou as nossas exportações, mas conseguimos manter parte do volume exportado, diz o vice-presidente da ArcelorMittal Brasil, ressaltando que as margens de operação nas vendas externas ficaram mais apertadas. Para continuar vendendo no mercado norte-americano, a ArcelorMittal teve que assimilar parte das tarifas, impactando negativamente os resultados financeiros, principalmente no segmento de aços planos.

Negresiolo garante que a empresa não tem intenção de promover cortes de produção por causa das importações elevada de aço. No ano passado, o Brasil importou 5,7 milhões de toneladas, volume 20,5% maior do que em 2024 e 160% superior à média anual entre 2000 e 2019.

INVESTIMENTOS A empresa mantém os investimentos programados, que somam R$ 25 bilhões entre 2022 e 2026. O equacionamento das importações de aço que invadiram o país, com a proteção da indústria, vai ser o passo que deve deslanchar os investimentos nos próximos anos.

“O Brasil é um país estratégico para a ArcelorMittal e estamos posicionados para um novo ciclo de investimentos. A efetivação desses aportes, no entanto, depende das condições de mercado e previsibilidade”, pondera Negresiolo. (com informações do Estado de Minas)

E MAIS…

Aquisições da companhia

Na área de aquisições, os destaques foram a Tuper, uma das maiores transformadoras de aço da América Latina; a Dânica, que atua no segmento de painéis termoisolantes; e a Tekno, referência em soluções de revestimento e pré-pintura de metais planos, além da aquisição indireta, via Tekno, do controle total da Perfilor, que atua também no segmento de painéis termoisolantes. As aquisições fazem parte da estratégia da empresa de diversificação do portfólio e de ampliação da oferta de soluções completas e de alto valor agregado para seus principais mercados.

Defesa comercial

Frente ao cenário de importações desleais, a ArcelorMittal, conjuntamente com o Instituto Aço Brasil, ao qual é afiliada, fomentou discussões sobre o tema e propôs soluções junto ao governo federal. A ideia foi mostrar a necessidade de adoção de medidas que equilibrassem o jogo comercial, como a renovação do modelo atual de sistema cota-tarifa e o acréscimo de novas NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul), em 2025, e a aplicação de medidas antidumping, em janeiro e fevereiro de 2026.

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