O padre Chrystian Shankar negou ter participado ou apresentado qualquer ingerência na contratação de uma empresa pela Prefeitura de Feira Grande, no agreste alagoano, por R$ 450 mil, para um treinamento de dois dias no município. Em nota enviado ao @viuitauna, o itaunense, reitor do Santuário de Frei Galvão em Divinópolis, disse que o caso, alvo de ação civil pública do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), foi inserido em um contexto político local. O padre sustenta que ao longo de 20 anos de sacerdócio, nunca teve problemas relacionados à contratação de serviços como treinador comportamental.
Na carta, o padre aponta que foi contratado pela empresa RM Fernandes Produções e Eventos para ministrar um treinamento destinado a aproximadamente 500 pessoas, recebendo o valor de R$ 200 por participante – cerca de R$ 100 mil, e aponta que além da sua participação, a realização do evento envolveu diversos outros custos. Christian negou ainda ter recebido qualquer valor oriundo do contrato público, firmado por inexigibilidade de licitação – leia a nota completa a seguir.
Segundo o Ministério Público de Alagoas, uma auditoria identificou possíveis irregularidades no processo de contratação, incluindo questionamentos sobre a justificativa da inexigibilidade, a definição do preço e o número de participantes previstos para o evento. O parecer técnico apontou que o quantitativo de vagas contratado teria sido superior à necessidade da Secretaria Municipal de Educação, resultando em um possível prejuízo aos cofres públicos estimado em mais de R$ 110 mil.
A ação foi movida contra o ex-prefeito Flávio Rangel Lira, a ex-secretária de Educação Patrícia Medeiros Lira e a empresa responsável pela contratação. O Ministério Público pede a anulação do contrato, o ressarcimento dos valores apontados como prejuízo e a responsabilização dos envolvidos. O caso segue em tramitação na Justiça.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Feira Grande
CIDADE TEM IDHM CONSIDERADO BAIXO Segundo o Censo 2022 do IBGE, Feira Grande tem 22.712 habitantes. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do município alagoano é de 0,533, classificado como baixo. A cidade possui características típicas de uma economia de pequeno porte do agreste alagoano, com mais de 80% dos moradores vivendo em áreas rurais e a produção de batata-doce como base econômica do município. O PIB per capita é de cerca de R$ 22 mil, valor inferior à média nacional. Indicadores de infraestrutura também apontam desafios importantes em Feira Grande. Dados recentes mostram cobertura limitada de abastecimento de água e carências em saneamento básico.
NOTA DO PADRE CHRYSTIAN SHANKAR:
“Diante das notícias recentemente divulgadas, recebi inúmeras mensagens de pessoas preocupadas e querendo entender melhor o que está acontecendo. Por respeito aos meus superiores, aos meus amigos, aos fiéis que caminham comigo e a todos que conhecem minha trajetória, considero importante prestar este esclarecimento de forma transparente, serena e verdadeira.
Em primeiro lugar, é importante destacar que toda essa situação possui um evidente contexto político local. Pelo que foi amplamente divulgado, a denúncia foi apresentada por um opositor da atual administração municipal. Infelizmente, acabei sendo citado e envolvido em uma discussão da qual não participei e sobre a qual não tive qualquer ingerência. Ao longo de mais de 20 anos de sacerdócio e de trabalho com famílias, educação, desenvolvimento humano e espiritualidade, realizei centenas de palestras, treinamentos e eventos em todo o Brasil. Nunca tive qualquer problema relacionado à contratação dos meus serviços como Treinador Comportamental ou à forma como exerço minha missão de evangelização.
No caso específico mencionado, fui contratado exclusivamente pela empresa RM Fernandes Produções e Eventos para ministrar um treinamento de dois dias no Município de Feira Grande, destinado a aproximadamente 500 participantes. O acordo firmado entre mim e a empresa foi simples e objetivo: recebi o valor de R$ 200,00 por participante efetivamente contratado para o evento, conforme pactuado entre as partes. Foi essa a base da contratação e foi exclusivamente esse serviço que prestei.
A empresa informou publicamente que, além da minha participação, houve diversos custos envolvidos na realização do evento, como transporte de materiais, aluguel de palco, telão de LED, sistema de som, estrutura, logística, equipe de apoio e demais despesas operacionais. Entretanto, não participei da contratação desses serviços, não acompanhei sua execução e não tive qualquer envolvimento na definição desses valores. Jamais participei de negociações com a Prefeitura, processos licitatórios, elaboração de contratos administrativos, prestações de contas ou qualquer procedimento relacionado à relação existente entre a empresa organizadora e o poder público. Minha atuação limitou-se exclusivamente à realização do treinamento para o qual fui contratado. Não recebi qualquer valor oriundo de contrato público, não participei de sua elaboração e não possuo qualquer vínculo administrativo com o Município envolvido.
Por essa razão, qualquer discussão sobre valores contratados entre a empresa e a Administração Pública não possui relação com a minha pessoa, nem com os valores que recebi pelos serviços efetivamente prestados. Reafirmo minha confiança nas instituições e nos órgãos competentes para a completa apuração dos fatos. Tenho absoluta tranquilidade quanto à minha conduta e permaneço à disposição para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários”.
Agradeço de coração a todos que têm manifestado apoio, confiança, amizade e respeito ao meu trabalho. Quem me conhece sabe da seriedade com que procuro conduzir minha missão sacerdotal, minha atuação como palestrante e meu compromisso com a evangelização e com as pessoas. Tenho plena convicção de que a verdade dos fatos prevalecerá e que todos os esclarecimentos necessários serão apresentados pelos meios adequados. Que Deus abençoe a todos.