Coleta seletiva é relançada em Itaúna com desafio de conscientizar a população

Um evento na manhã desta quarta-feira (1º), no Teatro Sílvio de Mattos, celebra os 24 anos de implantação da coletiva seletiva em Itaúna – modelo que se tornou referência nacional, mas perdeu eficiência com o relaxamento da população em relação à responsabilidade pelo próprio lixo gerado. A cidade foi pioneira na região Centro-Oeste na implantação na coleta de lixo seco, triagem e reciclagem dos materiais recicláveis, realizada pela Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis de Itaúna (COOPERT). A cooperativa, que busca se reerguer após um incêndio em setembro de 2024, tem papel fundamental na inclusão social dos catadores, gerando trabalho e renda no setor, além de contribuir na redução dos resíduos destinados ao aterro sanitário.

Atualmente, apenas 9% do lixo de Itaúna é reciclado. Em 2013, há 13 anos, o índice chegou a ser de 17%, um dos maiores do país. Na época eram coletadas cerca de 400 toneladas de lixo seco por mês, dos quais 280 toneladas eram efetivamente recicladas.

Arquivo/SAAE Itaúna

A solenidade, que relançará o programa, promete marcar uma nova etapa de políticas públicas voltadas à sustentabilidade e à gestão ambiental em Itaúna. Entre os avanços apontados pelo Município para a nova fase está a instalação de 190 contêineres destinados ao recebimento de lixos “seco e molhado”. Os equipamentos serão distribuídos em pontos da área urbana (145 unidades) e na zona rural (45), ampliando o acesso da população ao descarte ambientalmente adequado dos resíduos.

Segundo o SAAE, órgão responsável pela gestão de resíduos em Itaúna, as ações na área não se resumem à coleta seletiva. Soma-se ao serviço a varrição, com 58 servidores, o programa Cata Móveis, que recebeu um novo caminhão para o recolhimento de móveis inservíveis, e o aterro sanitário, localizado na Fazenda das Três Barras, na zona rural da cidade.

“O aterro atende à todas as normais ambientais da atualidade para o recebimento e aterramento do lixo molhado. Nas proximidades deste local estão as dependências da COOPERT que atua na coleta, separação e reciclagem do lixo seco. Os equipamentos da cooperativa foram totalmente destruídos por um grande incêndio em 2024. Um esforço conjunto da cooperativa e poder público está buscando verbas e oportunidade de reestruturação do galpão e dos equipamentos originais”, aponta o SAAE.

Também são realizados projetos de conscientização ambiental envolvendo escolas e população. Como exemplos, o SAAE desenvolveu o Projeto Guardiões da Natureza, que envolveu escolas municipais de Itaúna, é parceiro do Programa Produtor de Águas, voltado para o produtor rural, e em 2025 criou o Grupo de Educação Ambiental, realizando intervenções educativas nas escolas e mobilizações em eventos públicos, com a finalidade de conscientizar e melhorar a qualidade da coleta seletiva no município.

PRESENÇAS A programação do relançamento da coleta seletiva de Itaúna terá a presença do prefeito Gustavo Mitre (Republicanos), do diretor-geral do SAAE, Nilzon Borges, de representantes da Câmara Municipal, do Ministério Público (mpmg), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (SEMAD), da COOPERT, da Quantum Engenharia e Consultoria Ambiental e do ex-prefeito Osmando Pereira (União Brasil), um dos idealizadores do programa, implantado em julho de 2002.

E MAIS…

História da coleta seletiva em Itaúna

A modalidade de separação dos lixos “seco e molhado” em Itaúna foi implantada por meio de um amplo processo de divulgação e conscientização, iniciado ainda no final da década de 1990. Desde então, nunca foi interrompida. Itaúna possuía um lixão a céu aberto, onde o lixo da cidade era disposto sem nenhum controle. Houve até mesmo a disposição do lixo urbano no Morro do Bonfim, configurando agravo ambiental.

Usina de lixo abriu caminho para a COOPERT

Em 1986 foi criada a usina de lixo no bairro Parque Jardim, que contava com uma esteira mecânica. No local trabalhavam 40 famílias catando lixo para autossustento. Em 1999, essas famílias se uniram para fundar a COOPERT. O modelo de coleta seletiva de Itaúna e a COOPERT se transformaram em referência nacional, além de obter reconhecimento internacional. Em 2013, a COOPERT passou a realizar também o serviço de coleta seletiva de porta a porta, além da triagem de materiais em um galpão equipado, destruído pelo incêndio há cerca de dois anos.

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