A família do itaunense Alisson de Andrade Ribeiro, de 31 anos, que morreu após ser atingido pela hélice de uma lancha no Rio Paranaíba, no Triângulo Mineiro, aguarda por respostas sobre o acidente, ocorrido no último domingo (27). A Polícia Civil informou ao @viuitauna que instaurou um inquérito policial para apurar o caso. O condutor da lancha, de 33 anos, foi ouvido na delegacia de plantão em Ituiutaba e liberado a seguir, “por não haver, inicialmente, indícios que sua conduta tenha contribuído para o acidente, o que justificaria a autuação em flagrante delito”.
Ainda segundo o órgão, ele segue sendo investigado, e a PCMG realiza diligências como a oitiva de testemunhas, interlocução junto a autoridades municipais – para que sejam detalhadas as permissões de uso do local – além da análise do resultado do exame de corpo de delito, visando à completa análise da dinâmica do acidente.
“Outras informações poderão ser repassadas à imprensa com o avanço dos trabalhos investigativos”, acrescenta a PCMG à reportagem.
O corpo de Alisson foi sepultado na manhã de terça-feira (29) em Itaúna, onde nasceu. A despedida reuniu parentes e amigos, que destacaram o jeito leve e extrovertido de Alisson. Ao g1 Centro-Oeste, a irmã de Alisson, Alessandra Andrade, de 30 anos, contou que ele era alegre e cheio de carisma. Alisson era apaixonado por motos, pela vida ao ar livre e por estar cercado de gente. Trabalhou em oficinas mecânicas e já havia mudado de cidade algumas vezes, buscando novas oportunidades.
“Ele era muito popular, sempre com alegria, curtição. Muito ligado à família, aos amigos. Cativante, cheio de carisma”, diz Alessandra, que guarda como última lembrança um vídeo em que o irmão brinca com sua filha, de três anos.
A trajetória de Alison também carrega superação. A mãe morreu em 2005 e o pai, em 2019. Desde então, os três irmãos — Alisson, Alessandra e Alex — mantinham uma relação ainda mais próxima, mesmo com a distância. “Como perdemos nossos pais cedo, os amigos se tornaram irmãos. Ele amava estar rodeado de gente, estar feliz, viver intensamente”, recorda Alessandra.
Diante da tragédia, a família agora aguarda por respostas. “Tudo indica que foi imprudência. Se isso for comprovado, queremos justiça”, finaliza a irmã.

MERGULHO E TRAGÉDIA De acordo com a Polícia Militar, o acidente aconteceu quando Alisson decidiu mergulhar em um ponto mais afastado do rio, na orla da chamada Prainha de Cachoeira Dourada. Ao emergir, foi atingido pela hélice da lancha.
A equipe médica de Cachoeira Dourada realizou os procedimentos de reanimação por cerca de 30 minutos, porém sem sucesso. O condutor da embarcação não possuía habilitação para navegar e se recusou a fazer o teste do etilômetro. Segundo ele, ouviu um barulho de colisão da hélice com algo submerso. Ao verificar, viu uma mancha de sangue na água e um braço estendido pedindo socorro.
A embarcação foi apreendida e encaminhada ao pátio de veículos em Ituiutaba. A Marinha do Brasil abriu uma procedimento administrativo de investigação. A navegação no Rio Paranaíba é permitida, desde que observadas as normas legais. A Prefeitura de Cachoeira Dourada lamentou o episódio e informou que a orla conta com sinalização indicativa alertando os banhistas, porém vai reforçar as medidas de segurança para os turistas.
