Com mandado de prisão por uma condenação há 14 anos, o traficante Sonny Clay Dutra, de 43 anos, voltou a ser preso durante uma operação de inteligência da Polícia Civil na sexta-feira (9), em Divinópolis. As investigações que levaram ao seu paradeiro, em uma boate, indicam que ele estava residindo em Itaúna. Segundo a PCMG, Sonny Clay era responsável pela logística do transporte da droga de países vizinhos como Bolívia e Paraguai – onde também chegou a morar.
A partir de agora, a PCMG entrará em uma segunda fase da operação para esmiuçar um esquema de lavagem de dinheiro que envolve empresas de setores como de alimentos e de postos de combustíveis, de diversos estados além de Minas Gerais, como São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal.
Em maio de 2019, o traficante havia sido preso enquanto jogava uma partida de futebol pelo Peñarol de Ouro Preto, time que patrocinava. Dessa vez, as ações para chegar ao traficante levaram meses e foram realizadas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) da Polícia Civil, junto com a Diretoria de Inteligência Policial da Superintendência de Informações e Inteligência Policial (SIIP) da PCMG.

Natural de Ouro Preto, onde havia sido preso pela equipe do Deoesp, o homem teve a prisão preventiva revogada na época e, desde então, estava foragido, figurando na lista dos criminosos mais procurados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
“É uma das prisões mais relevantes que fizemos nos últimos anos, considerando a expressividade dele na atividade criminosa em Minas Gerais, considerado um dos maiores traficantes do Brasil e o maior traficante de pasta base de cocaína de Minas Gerais”, afirma a chefe da PCMG, delegada-geral Letícia Gamboge.
O delegado da Draco 1, Davi Batista Gomes, detalhou os desafios para capturar o criminoso. “As investigações para localizá-lo vêm de muito tempo e demandaram muito trabalho de inteligência e de campo, ele já foi preso diversas vezes, tem uma grande rede de proteção, tem muito dinheiro, então consegue trocar frequentemente de endereço, então conseguimos dar um golpe muito forte no tráfico de drogas do estado, principalmente na questão da grande logística, que abastece os pontos de droga”.

PRÓXIMOS PASSOS O chefe da operação especializada do Deoesp, Marcus Vinícius Lobo Leite Vieira, recapitulou que Sonny Clay Dutra é investigado pela Polícia Civil desde 2013. “É um criminoso contumaz, tem grandes contatos em regiões de fronteira, por isso se tornou o maior narcotraficante do estado de Minas Gerais e um dos maiores do país e não tem vínculo com nenhuma facção específica, mantendo interlocução com todas, atua em um nível acima da logística de drogas e é o responsável por trazer grandes quantidades de cocaína para Minas Gerais”, diz o delegado, que apontou as ações a partir de agora.
