A Justiça tornou réu o empresário Alison de Araújo Mesquita, denunciado por matar a esposa e forjar um acidente de carro, na MG-050, em Itaúna, para tentar encobrir o crime. A decisão é da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri – 1º Sumariante da Comarca de Belo Horizonte. Além de aceitar a denúncia, a juíza manteve a prisão preventiva do réu, que foi preso em flagrante durante o velório da vítima. A magistrada aceitou a denúncia por feminicídio com as qualificadoras de violência doméstica e familiar, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual.
Em janeiro, o inquérito da Polícia Civil que apurava o caso concluiu que a morte da mulher foi causada por asfixia e simulação de acidente. Conforme apurado, Henay foi morta em um apartamento no bairro Nova Suíça, em Belo Horizonte, e teve o corpo transportado até o interior do veículo, antes de o investigado provocar, de forma intencional, uma colisão com um ônibus, com o objetivo de simular um acidente.


O casal mantinha relacionamento havia cerca de um ano. As apurações, conduzidas pela equipe da delegacia de Polícia Civil em Itaúna, com apoio da Agência de Inteligência do 7º Departamento e do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) em Belo Horizonte, tiveram início após o registro do suposto acidente.
A reavaliação da ocorrência foi motivada por informações repassadas por familiares da vítima e pelo relato de uma funcionária da praça de pedágio por onde o veículo passou minutos antes da colisão. A atendente relatou ter observado a mulher desacordada no banco do motorista, enquanto o companheiro, com lesões aparentes e em estado de nervosismo, conduzia o veículo no banco do passageiro, recusando ajuda e deixando o local rapidamente.
EXTREMA OBJETIFICAÇÃO A denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) aponta que a ação revelou uma “extrema objetificação da mulher como meio de autopreservação do denunciado”, o que mostrava “acentuado grau de misoginia”.
O processo tramita sob o nº 5010555-36.2025.8.13.0338. As informações foram divulgadas pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
