“Estação de Memórias” resgata memória ferroviária de Itaúna

Contar a história da ferrovia desde as primeiras locomotivas que passaram por Itaúna, em 1910, é o objetivo da exposição “Estação de Memórias” Itaúna, que será inaugurada pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo nesta sexta-feira (10), às 10h, na nova Sala de Exposições Maria Ângela Amaral Moreira, no Museu Municipal Francisco Manoel Franco, na Praça da Estação. Realizada pela VLI – administradora da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), em parceria com a Agência de Iniciativas Cidadãs (AIC), por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, a iniciativa registra e difunde as memórias das pessoas sobre o passado, a partir de um processo de cocriação com as comunidades. Encontros e entrevistas identificam casos, lembranças e histórias de quem vivenciou o vai e vem dos trens. “Esse conteúdo é transformado em espaços expositivos, montados na estação”, afirma a VLI.

Em Itaúna, a expografia foi construída de forma colaborativa, com a identificação de cerca de 70 fotografias, além de oito objetos e documentos históricos. Ao todo, foram realizadas 15 entrevistas em áudio e quatro oficinas colaborativas, que contaram com a participação de mais de 40 voluntários.

O memorial se dedica a contar a história dos itaunenses, a relevância do trabalho ferroviário e das indústrias têxteis, as manifestações culturais no entorno das estações e as festas religiosas. Para contar todas essas memórias ferroviárias, a expografia é composta por uma linha do tempo, jogo da memória e jogo de segurança nos trilhos, personagens inspirados em figuras locais, entrevistas em vídeo, objetos cenográficos, entre outros elementos.

Algumas particularidades da história ferroviária local ganham destaque por meio de objetos, documentos, equipamentos utilizados no trabalho dos ferroviários, as memórias de quem conviveu com os trens, a movimentação no entorno da estação, entre outros importantes acontecimentos.

Segundo a coordenadora-geral do projeto pela AIC, Gislaine Gonçalves, a chegada da ferrovia, em 1910, transformou o Curato de Sant’Ana, o povoado que viria a receber o nome de Itaúna anos mais tarde.

“A Santanense, a Itaunense e a Rede Mineira de Viação, foram empreendimentos que impactaram a economia e a sociedade local. Juntas, deixaram marcas profundas na história e nos corações de quem ali viveu e ainda vive. A expografia busca explorar essas conexões por meio das memórias dos itaunenses”, afirma.

LEGADO DE MARIA ÂNGELA AMARAL A nova sala de exposições leva o nome de Maria Ângela Amaral Moreira, falecida em novembro de 2024, como forma de reconhecimento à sua trajetória marcada pela dedicação à comunidade itaunense. Nascida em Itaúna em 19 de maio de 1938, Maria Ângela construiu uma vida pautada pela fé, pela solidariedade e pela participação ativa nos festejos religiosos e sociais de Itaúna, sempre ao lado do marido, Nilo Moreira da Silva, com quem compartilhou 67 anos de casamento.

Conhecida também por seu talento como doceira, responsável por bolos e quitutes que marcaram gerações, ela teve papel relevante na vida cultural do município. Uma de suas contribuições mais significativas foi o auxílio na catalogação e nomeação de peças do acervo do Museu Municipal, fortalecendo a preservação da memória local.

Reconhecida por seu espírito comunitário e ações de caridade, Maria Ângela deixa cinco filhos, dez netos e quatro bisnetos. A homenagem, proposta pelos vereadores Dalminho e Alexandre Campos a pedido de Marcinho Hakuna, então secretário municipal de Cultura e Turismo, simboliza o reconhecimento público de uma vida dedicada ao cuidado com o próximo e à valorização da história de Itaúna.

EXPOSIÇÃO PERMANENTE Na mesma data, o Museu Municipal Francisco Manoel Franco passa a contar com outra exposição permanente, ampliando sua atuação como espaço de memória e educação. A Sala de Exposições Professora Elenice Tarabal Coutinho Guimarães abrigará o acervo do museu, reorganizado após um processo de revisão conduzido pela Comissão de Acervo. A exposição reúne peças que retratam diferentes aspectos da história política, social e cultural de Itaúna, incluindo itens ligados à religiosidade e à indústria têxtil.

SERVIÇO
Estação de Memórias de Itaúna

Quando: a partir de 10 de abril, de 7h às 17h
Onde: Museu Municipal Francisco Manoel Franco – Av. Dona Cota, 853-875, Centro
Agendamentos para escolas e grupos podem ser realizados pelo e-mail museu@itauna.mg.gov.br ou pelo telefone (37) 3249-9902

E MAIS…

Balanço
Em 2026, o Estação de Memórias deve ser implantado também em Sete Lagoas, Bambuí e Santo Antônio do Monte; Aguaí, em São Paulo; e em Catalão, no estado de Goiás. O Programa Estação de Memórias recebeu, nos últimos anos, mais de R$ 17 milhões para a preservação da memória ferroviária. O investimento é realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).

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