PCMG indicia responsáveis por acidente que atropelou funcionários na Patense

A delegacia de Itaúna concluiu o inquérito que investigou o acidente de trabalho que feriu três funcionários na Patense, no dia 27 de janeiro deste ano. Na ocasião, dois mecânicos realizavam a manutenção de freios de um caminhão embaixo do veículo, no interior da oficina da empresa, enquanto um borracheiro acionou a ignição. O caminhão, que estava engrenado, deslocou bruscamente para frente, passando por cima das vítimas. Outro funcionário conseguiu subir no veículo e desligar o motor. Segundo a Polícia Civil, as investigações resultaram no indiciamento de cinco sócios e demais responsáveis da empresa por lesão corporal culposa.

Um dos mecânicos vítima do acidente sofreu politraumatismo grave com laceração do baço, laceração traqueal, pneumotórax bilateral, lesões pulmonares e hepáticas — passando por múltiplas cirurgias e transfusões sanguíneas. O outro mecânico sofreu fratura completa do fêmur direito e fraturas complexas do acetábulo esquerdo. Ele foi submetido à três cirurgias, permanecendo na UTI por uma semana e recebendo 180 dias de afastamento. O borracheiro teve um dos pés esmagado pela roda do caminhão, com afastamento de quatro dias.

De acordo com a PCMG, a perícia criminal e depoimentos colhidos revelaram indícios de irregularidades relacionadas às normas de segurança. O sensor de segurança do caminhão, que deveria impedir o motor de funcionar com o veículo engrenado, apresentava defeito ou havia sido desativado, conforme apurado nos depoimentos. Não havia uso de cavaletes de segurança nem calços nas rodas. A oficina estava sem supervisão no momento do acidente, os técnicos de segurança estavam alocados em outro setor e os trabalhadores não recebiam treinamento formal para as atividades de manutenção — aprendiam na prática.

Foto: Divulgação/Arquivo

INDICIAMENTO O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que analisarão o indiciamento e poderão oferecer denúncia contra os envolvidos.

“A Polícia Civil de Minas Gerais reafirma seu compromisso com a investigação técnica e imparcial dos fatos, resguardando o direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal, princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito”, afirma a PCMG.

A Patense retornou a reportagem após a publicação, informando que não foi intimada sobre qualquer indiciamento. A empresa afirma que em eventual formalização “apresentará esclarecimentos e defesa nos prazos legais”.

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