Uma comissão especial instaurada pela Câmara Municipal pretende convidar os envolvidos na denúncia de crime no evento Gay Day, que aconteceu na Praça Celi, em Itaúna, durante o último fim de semana. Na reunião ordinária de terça-feira (4), o vereador Kaio Guimarães utilizou a tribuna para dizer que os católicos ficaram estarrecidos com uma apresentação em que foi utilizado o manto de Maria. Segundo Kaio, pode ter havido um ato vilipendioso, que ocorreu publicamente. Edênia Alcântara disse que esteve no Gay Day e “em momento algum houve desrespeito”.
“Se for constatado isso de fato, acredito que devem ser tomadas algumas providências. Para haver constatação do fato, para mim é necessário que se faça uma Comissão Especial”, justificou Kaio.
O vereador aponta que a apresentação fere o artigo 208 do Código Penal.
“Acredito que esse fato foi pelo menos, no mínimo, desnecessário. Cria-se uma narrativa que foi uma homenagem à Maria, mãe de Jesus. Porém estava uma manifestação, um ato político, que tem defesas diferentes da fé católica e posteriormente é feita esta encenação”.
Edênia Alcântara apontou em sua fala a falta de políticas públicas voltadas ao público LGBTQIA+ em Itaúna e ressaltou que o Brasil é um dos países que mais mata pessoas do gênero. Para a vereadora, “pegaram uma parte da apresentação, fizeram um recorte maldoso e jogaram nas redes sociais”. “Algo que a extrema direita faz muito bem”, criticou.
“Mesmo a gente falando de todas essas dificuldades, ainda somos atacados, ainda somos agredidas, ainda somos acusados de blasfêmia, sendo que no dia 1o, no Gay Day, a homenagem foi feita à Nossa Senhora Aparecida, a mãe de todos e todas e não de alguns. Mas esqueceram de mostrar que essa mesma apresentação ocorreu no Programa do Ratinho. E foi uma apresentação premiada”.
Edênia questionou ainda o porque de em Itaúna, um evento que tinha ligação com o mandato da vereadora, virar “esse alvoroço todo”. A vereadora disse ainda que a Câmara se nega à fornecer os direitos à população LGBTQIA+.
“Será que esses corpos de pessoas bissexuais, lésbicas, gays, trans, não são corpos considerados para exercer a fé? Será que são corpos que devem ser escondidos, excluídos? Não podem rezar um Pai Nosso, uma Ave Maria? Não podem ir na igreja?”, provocou.
KAIO SERÁ PRIMEIRO CONVIDADO A comissão é presidida pelo vereador Gustavo Barbosa, que disse que se pronunciará sobre o caso na reunião extraordinária desta quinta (6). Segundo Barbosa, o cerne da comissão é o artigo 208 e o colega Kaio, autor da denúncia, será o primeiro convidado da comissão.
O QUE DIZ O ARTIGO:
208 – Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso: Pena – reclusão, de um a três anos e multa.
PORTARIA QUE INSTAURA A COMISSÃO:
13/2024
Nomeia Comissão Especial para averiguação de denúncias de crime ocorrido no evento “Gay Day”, ocorrido no Município de Itaúna/MG. O Presidente da Câmara Municipal de Itaúna Nesvalcir Gonçalves Silva Júnior, no uso das atribuições legais que lhe são conferidas pelo 145, §3°, do Regimento Interno, a pedido do edil Kaio Guimarães, em reunião ordinária realizada na data de 04 de junho de 2024;
RESOLVE:
Art. 1o Designar para compor a Comissão Especial para averiguação de denúncias relacionadas ao
evento “Gay Day”, ocorrido no Municı́pio de Itaúna/MG, os seguintes vereadores:
Vereador Aristides R. C. Filho;
Vereador Gustavo Barbosa;
Vereador Joselito Gonçalves.

E MAIS…
RODA DE CONVERA Na segunda-feira (3) a noite, Edênia Alcântara e o partido PV promoveram na Câmara uma roda de conversa com o Mês do Orgulho LGBTQIA+ como foco, para discutir a temática e celebrar os avanços conquistados pela comunidade. O encontro teve a presença da deputada estadual Lohanna França e pré-candidatos a vereador. Os participantes compartilharam suas experiências e perspectivas, evidenciando os desafios que ainda persistem na luta por uma sociedade mais justa e inclusiva para todas as pessoas. Edênia e Lohanna destacaram a importância de reconhecer as dificuldades que a população LGBTQIA+ enfrentam diariamente, como a discriminação, o preconceito e a violência. “Enfatizaram que esse reconhecimento é fundamental para a construção de políticas públicas eficientes e que garantam os direitos de todos”, afirma a assessoria da vereadora.

Hora nenhuma teve falta. De respeito com religião