Gerdau encerra produção de aço em Divinópolis e alega perda de competitividade

A Gerdau oficializou nesta terça-feira (3) o encerramento da produção de aço na usina de Divinópolis. Maior empresa brasileira produtora de aço, a siderúrgica afirma que a medida está relacionada principalmente à perda de competitividade da operação, em razão da ausência de fornecimento de minério de ferro a custos competitivos, fator que tem pressionado os custos de produção. A Gerdau acrescenta que o cenário é agravado pelo avanço das importações de aço no mercado brasileiro e pelas condições desfavoráveis do mercado internacional, especialmente para as exportações, historicamente relevantes para a operação da unidade.

Conforme a empresa, a medida está alinhada à estratégia de otimizar as operações no Brasil, concentrando a produção de aço em ativos mais competitivos, eficientes e com maior nível tecnológico, de forma a assegurar a sustentabilidade dos negócios no longo prazo. Sobre os empregos afetados, a Gerdau diz apenas que, como parte das medidas de apoio, “está considerando oportunidades de transferência de parte dos colaboradores para outras unidades, além de disponibilizar cursos de qualificação técnica e workshops com o objetivo de apoiar a recolocação profissional e a preparação para novas oportunidades”.

Em nota, a Prefeitura de Divinópolis aponta que a decisão da siderúrgica impacta diretamente cerca de 1.000 pessoas, entre trabalhadores próprios e terceiros, o que equivale a aproximadamente 7,4% do emprego industrial do município. Um programa será lançado ao longo da semana para mitigar os efeitos sobre trabalhadores e negócios.

IMPACTOS NA ECONOMIA LOCAL Estudos do Executivo municipal indicam o impacto do fechamento da usina da Gerdau também para a arrecadação local e para outros negócios de Divinópolis. A unidade pode representar até cerca de 15% do repasse de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de Divinópolis. Nos bairros Interlagos e Porto Velho, no entorno da planta, há mais de 2.000 empresas, das quais 93% são microempresas. O dado evidencia o impacto potencial da decisão sobre fornecedores, transportadores e prestadores de comércio e serviços da região.

A prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida Silva (Avante), salientou que Divinópolis tem uma economia diversificada, o que “não reduz a gravidade deste momento”.

“Vamos intensificar as conversas com o setor produtivo e fazer tudo o que está ao alcance do município, sem promessas que não dependem de nós”, ressalta Janete. (com informações do Diário do Comércio)

E MAIS…
Dia triste para a indústria e para Divinópolis

A regional Centro-Oeste da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) se manifestou por meio de nota, apontando que o encerramento da produção de aço da Gerdau em Divinópolis representa uma perda significativa para a economia local, centenas de trabalhadores e famílias. A entidade lembrou que a empresa está há mais de 70 anos na cidade, contribuindo para o desenvolvimento do município, gerando empregos, renda, oportunidades e movimentando uma extensa cadeia de fornecedores e prestadores de serviços. “Sua trajetória se confunde com a própria história do desenvolvimento industrial da nossa cidade”, aponta.

Cenário internacional adverso e Custo Brasil

A FIEMG ressalta que a decisão precisa ser compreendida dentro de um “cenário internacional bastante adverso” para a siderurgia brasileira, com a China direcionando um volume crescente de produção excedente para o mercado internacional, pressionando os preços e ampliando a concorrência em países emergentes – entre eles o Brasil. A federação também cita desafios internos, especialmente o Custo Brasil, que encarece a produção e compromete a capacidade de competição da indústria nacional. “É um contexto que exige atenção e medidas estruturantes para garantir condições mais equilibradas de concorrência e preservar a capacidade industrial do país”.

Realocação profissional

A entidade se coloca à disposição para dialogar com as instituições envolvidas e construir alternativas que possam minimizar os impactos. “Neste momento, nossa preocupação também está voltada às pessoas. É fundamental buscar caminhos para apoiar os profissionais impactados, contribuir para sua qualificação e recolocação no mercado de trabalho”.

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