Mineradoras são fonte para cultura, mas impacto de ferrovia na região está “às cegas”

A necessidade de uma transição econômica, de forma que os municípios do Circuito Veredas do Paraopeba – do qual Itaúna faz parte – não sejam tão dependentes da atividade minerária, foi apontada pelo secretário de Cultura e Turismo de Itaúna, Marcinho Hakuna, durante audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Solicitada pelo presidente da Comissão Extraordinária de Turismo e Gastronomia, deputado estadual Mauro Tramonte (Republicanos), a reunião teve o projeto da ferrovia Ramal Serra Azul como ponto central de discussão, com a presença de representantes de mineradoras da região. “Sou defensor do meio ambiente, mas também sou defensor dos trabalhadores. Cerca de 30 mil empregos podem ser impactados por esse projeto”, ressaltou Tramonte durante a discussão.

A forte presença de mineradoras nos municípios da região, injetando recursos na economia, também foi destacada. Para a maioria das cidades da região, a mineração seria a principal fonte de investimentos em projetos de cultura e turismo, por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Nesse sentido, foi vista com preocupação a tramitação na ALMG do Projeto de Lei 3.402/25 que, na sua forma original, dificulta o licenciamento ambiental de projetos dutoviários na Grande BH.

Segundo a advogada e assessora do Movimento Unidos Contra a Ferrovia, Isabella Oliveira Lopes Rezende, a futura ferrovia do Ramal Serra Azul atravessará cerca de 78 nascentes e córregos e Área de Preservação Ambiental (APA) Igarapé, onde está localizada a Pedra do Igarapé, importante ponto turístico do circuito. Junto à ferrovia, com início de obras previsto para novembro de 2029, mineradoras pretendem construir um mineroduto para escoar o aumento na produção de minério de ferro a partir de Itatiaiuçu, como mostrou o @viuitauna.

Hakuna ressaltou transição econômica para reduzir dependência da mineração na região

Embora prefeituras envolvidas e a população não tenham nenhuma informação oficial sobre o traçado da ferrovia, o projeto foi autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e recebeu uma declaração de utilidade pública, o que já possibilitaria a desapropriação de terrenos.

“O empreendimento está correndo às cegas e não possui sequer um estudo de impacto ambiental, social e econômico”, alerta a advogada.

IMPACTO EM INVESTIMENTOS NA REGIÃO Segundo o vice-prefeito de Igarapé e presidente da Associação do Circuito Turístico Veredas do Paraopeba, Daute Henriques Alvim, o Dautinho (PSD), caso seja aprovada, a proposição pode impactar investimentos de mineradoras de até R$ 6 bilhões.

“A falta desse investimento vai gerar desemprego e afetar a circulação de dinheiro na região”, ressalta Dautinho.

Para a diretora da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Luciana Rodrigues Atheniense, é preciso uma análise criteriosa em relação à ferrovia, para que ela não represente um retrocesso na economia dos municípios que integram o circuito.

Mauro Tramonte anunciou que fará uma nova audiência na Comissão de Turismo e Gastronomia para debater de maneira mais aprofundada a questão da ferrovia. O deputado apresentou requerimento para que seja encaminhado ao diretor-geral da ANTT pedido de informações a respeito do ramal ferroviário, em especial sobre o cumprimento, por parte da Cedro Participações, do artigo 25 da Lei Federal 14.273, de 2021, a Lei das Ferrovias. O dispositivo determina quais documentos e informações a empresa é obrigada a fornecer no pedido de autorização para o empreendimento.

Representantes de mineradoras da região participaram da reunião

E MAIS…
Cidades do Circuito Veredas do Paraopeba

O Circuito Veredas do Paraopeba engloba atividades de turismo, gastronomia e economia criativa em 17 municípios: Belo Vale, Bonfim, Brumadinho, Desterro de Entre Rios, Florestal, Ibirité, Igarapé, Itaguara, Itaúna, Jeceaba, Juatuba, Mário Campos, Moeda, Piedade dos Gerais, São Brás do Suaçuí, São Joaquim de Bicas e Sarzedo.

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