Daqui a alguns anos, quem subir o Morro do Bonfim poderá encontrar um cenário diferente do atual. Onde hoje predominam áreas abertas e vegetação esparsa, uma sucessão de copas floridas em tons de lilás deverá tomar conta da paisagem. As 100 mudas de quaresmeira plantadas no último dia 26 ainda são pequenas, mas carregam consigo uma ambição maior do que a de simplesmente ampliar a arborização de um dos cartões-postais de Itaúna. Elas representam o projeto Cidade Jardim, iniciativa criada pelo Município para transformar a relação da cidade com seus espaços públicos por meio do paisagismo, da arborização e da integração com a natureza.
A proposta parte de uma ideia simples, mas que vem orientando o planejamento urbano das cidades mais bem avaliadas em qualidade de vida: árvores e plantas não são apenas elementos ornamentais. Elas são infraestrutura urbana.


Nas últimas décadas, especialistas em urbanismo passaram a tratar a arborização como um investimento estratégico. Árvores reduzem a temperatura das ruas, melhoram a qualidade do ar, aumentam a infiltração da água da chuva, oferecem abrigo para aves e polinizadores, reduzem a poluição sonora e tornam os espaços públicos mais convidativos para a convivência e a prática de atividades físicas.
Estudos de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o programa ONU-Habitat, apontam que ampliar a cobertura vegetal é uma das estratégias mais eficientes para enfrentar as ilhas de calor, adaptar as cidades às mudanças climáticas e melhorar a saúde física e mental da população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também relaciona a presença de áreas verdes à redução do estresse, ao incentivo à atividade física e ao aumento da qualidade de vida.
No Brasil, experiências consolidadas demonstram que a arborização também pode fortalecer a identidade de um município. Curitiba tornou-se referência internacional ao integrar parques, bosques e corredores verdes ao planejamento urbano. Gramado transformou o paisagismo em um dos pilares do turismo local. Já Holambra consolidou sua imagem nacional associando flores e jardins ao desenvolvimento econômico e cultural.

O PROJETO
Idealizado pelo prefeito Gustavo Mitre (Republicanos), o Cidade Jardim reúne as secretarias de Governo e Planejamento, Infraestrutura, Urbanismo e Meio Ambiente e Saneamento em um grupo de trabalho responsável por definir prioridades, elaborar projetos paisagísticos e coordenar intervenções em diferentes regiões de Itaúna. A proposta vai além do embelezamento urbano. O objetivo é requalificar espaços públicos, ampliar áreas verdes, tornar praças e avenidas mais agradáveis para a população e construir uma identidade visual que associe Itaúna a uma cidade sustentável e acolhedora.
Segundo a Prefeitura, as primeiras ações concentram-se em áreas de grande circulação, especialmente nas principais entradas do município e em praças públicas, locais que funcionam como cartões de visita para moradores e visitantes.
“O Cidade Jardim traduz o cuidado com os espaços públicos e com a qualidade de vida da nossa população. Queremos uma cidade cada vez mais bonita, bem cuidada e acolhedora para quem vive aqui e para quem nos visita”, afirma Mitre, apontando cidades europeias como Londres, Paris e Viena como exemplos de parques, arborização e corredores verdes.
TRANSFORMAÇÃO PELA PORTA DE ENTRADA Uma das primeiras intervenções ocorreu justamente onde milhares de pessoas passam diariamente. O canteiro central da Rua Silva Jardim recebeu o plantio de mais de 100 pinheiros entre ciprestes italianos e milhares de fincas, modificando a paisagem urbana na principal entrada do município.


A escolha não é por acaso. Urbanistas costumam afirmar que a percepção de uma cidade começa antes mesmo de o visitante chegar ao Centro. Entradas bem cuidadas transmitem sensação de organização, pertencimento e valorização do espaço público.
E MAIS…
Morro do Bonfim como símbolo da transformação
Se a Silva Jardim representa o cartão de boas vindas à Itaúna, o Morro do Bonfim simboliza sua identidade histórica e afetiva. Foi justamente nesse cenário que a Prefeitura encerrou a programação do Mês do Maio Ambiente promovendo o plantio de 100 mudas de quaresmeira. A escolha da espécie também carrega significado. Nativa da Mata Atlântica, a quaresmeira é reconhecida por sua exuberante floração em tons de lilás, rosa e roxo. Quando plantadas em conjunto, essas árvores formam verdadeiros corredores floridos, capazes de transformar completamente a paisagem durante o período de florescimento.
Plantando o futuro para as próximas gerações
Ao contrário de obras públicas, projetos de arborização não apresentam resultados imediatos. Árvores levam anos para crescer, formar copas e oferecer todos os benefícios ambientais esperados. É justamente por isso que iniciativas dessa natureza são vistas como investimentos de longo prazo.
