Um estudo produzido pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG) aponta que as mudanças na tributação das compras internacionais de baixo valor coincidiram com alterações relevantes no desempenho de tecidos, vestuário e calçados no país. Em Minas Gerais, a retração chegou a 4,4%, enquanto as importações em 2026 cresceram cerca de 47,4%. As mudanças na tributação, de acordo com a Fecomércio-MG, estão relacionadas a alterações importantes no ambiente competitivo enfrentado pelo varejo de moda brasileiro. O impacto é visível no comércio da região central de Itaúna, que amarga movimento abaixo da média.
Produzido pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio-MG, o estudo “O impacto da taxação de pequenos valores no varejo de moda” traz resultados compatíveis com a hipótese de que a cobrança iniciada em agosto de 2024 tenha reduzido temporariamente parte da vantagem de preço dos produtos importados e contribuído para um ambiente de concorrência mais equilibrado para o varejo estabelecido no país. Em 2026, a flexibilização das regras tributárias coincidiu com uma nova aceleração das remessas internacionais e com o aprofundamento das perdas no segmento de moda.
“O que o estudo coloca em evidência é que a discussão sobre as compras internacionais de pequeno valor vai muito além do preço de um produto. Estamos falando de condições de concorrência que alcançam empresas, trabalhadores, fornecedores, indústria e toda uma cadeia produtiva que gera renda e movimenta a economia brasileira”, afirma a economista da Fecomércio-MG, Fernanda Gonçalves.

Segundo a especialista, a vantagem concedida às plataformas estrangeiras tende a deslocar a demanda para fora do país, comprometendo tanto a neutralidade concorrencial quanto a sustentabilidade do setor. “Negligenciar esse diagnóstico pode penalizar a produção nacional, corroer investimentos e transferir renda e empregos para o exterior”, alerta.
A análise foi feita a partir de dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, do Programa Remessa Conforme, da Receita Federal, e de informações sobre o comércio exterior e a cadeia da moda e reúne dados de vendas de tecidos, vestuário e calçados no Brasil e em Minas Gerais e os compara à evolução das compras internacionais de pequeno valor.
REMESSAS CRESCERAM 47,4% EM 2026 Um dos dados que mais chamam a atenção no estudo está no comportamento das importações realizadas por meio do Programa Remessa Conforme. Entre janeiro e julho de 2026, os produtos enviados ao Brasil pelo programa movimentaram R$ 12,16 bilhões, frente a R$ 8,25 bilhões registrados no mesmo período de 2025 – crescimento de aproximadamente 47,4%. A média mensal também aumentou de forma significativa: passou de R$ 1,18 bilhão nos sete primeiros meses de 2025 para R$ 1,74 bilhão no mesmo intervalo de 2026. Nas comparações interanuais, o avanço foi ainda mais expressivo em alguns meses: 42,9% em maio, 100% em junho e 71,3% em julho.
