PF indicia vice-prefeito de Itaúna, delegados e ex-deputado na Operação Intrafortis

O vice-prefeito de Itaúna, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto (PL), foi indiciado pela Polícia Federal (PF) na Operação Intrafortis, que apurou o pagamento de propina a servidores públicos para acelerar a liberação de licenças ambientais e autorizações relacionadas à atividade minerária em Minas Gerais. Ao todo dez pessoas foram indiciadas – entre elas dois delegados da Polícia Federal e um ex-deputado estadual. O caso, um dos desdobramentos ligados à Operação Rejeito, tramita sob supervisão do Tribunal Regional Federal (TRF-6) e será agora submetido ao Ministério Público Federal (MPF), que decidirá sobre a apresentação de denúncia.

Em fevereiro, Neto retornou ao Brasil e passou a cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Em abril, uma liminar da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou a recondução do político ao cargo de vice-prefeito de Itaúna. A decisão monocrática suspendeu uma resolução da Câmara Municipal que extinguiu o mandato de Neto, em janeiro. Nesta quinta-feira (27), o @viuitauna solicitou o posicionamento da defesa do vice-prefeito e aguarda retorno.

O relatório final da Operação Intrafortis foi concluído em agosto de 2026 e encaminhado à Justiça Federal. Segundo a PF, o grupo teria atuado na negociação de direitos minerários, em práticas de corrupção e na lavagem de dinheiro. O relatório aponta que o grupo usava empresas registradas em nome de terceiros para negociar direitos minerários avaliados em mais de R$ 200 milhões e tinha como suposto líder oculto o delegado federal Rodrigo de Melo Teixeira, que foi superintendente da PF em Minas à época do rompimento da barragem de Brumadinho.

Além de Neto, que atuou como subsecretário da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad) e Teixeira, foram indiciados a delegada da PF aposentada Kelly Cristina de Castro Batista; os empresários Ursula Paula Deroma, Phillipe Westin Deroma Furtado, Marcos Arthur Mendonça e Gilberto Henrique Horta de Carvalho; Luiz Fernando Vilela Leite; Daniela dos Santos Wandeck, mulher de Teixeira; e o ex-deputado João Alberto Paixão Lages.

Os crimes atribuídos variam conforme o investigado e incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, tentativa de embaraço a investigação e violação de sigilo funcional.

Em junho, a PF já havia indiciado 34 pessoas investigadas na Operação Rejeito sob suspeita de integrar uma organização criminosa. Segundo a corporação, o esquema combinava crimes ambientais, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, fraudes administrativas e falsidade documental para viabilizar projetos de mineração em áreas protegidas de Minas Gerais.

PROPINA POR LICENÇAS A investigação no âmbito da Operação Intrafortis aponta que o grupo atuava em duas frentes: na Semad, para obter licenças e autorizações ambientais, como as de manejo de fauna; e na Agência Nacional de Mineração (ANM), para conseguir alvarás de pesquisa e autorizações de cessão de títulos. O objetivo era valorizar direitos minerários em Caeté, Santa Bárbara, Congonhas e Bela Vista de Minas, e revendê-los a investidores.

Em nota, a defesa de Rodrigo Teixeira se manifestou. “Chamou atenção da Defesa a deliberada sonegação no relatório do inteiro teor do depoimento do Delegado Roger e da Delegada Tatiana, especialmente no ponto em que afastaram peremptoriamente a hipótese inventada de que Rodrigo Teixeira teria agido para remover o Delegado Frederico da Delegacia do meio ambiente. No próprio inquérito – ainda sem Contraditório e Ampla Defesa – a leviandade desse factoide foi escancarada, mas não se dignaram a consignar isso nesse relatório que, de resto, é carente de substrato probatório e só faz repetir a mendaz retórica que inaugurou essa famigerada operação”, diz o advogado Bruno César. (com informações de O Fator)

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